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Dom José, conheci o poema antes desta interpretação, conheci a plenitude do poema com esta interpretação do Xaxá. Uma ternura infinita invadiu-me com agonias por tatos, uma imensa vontade de tocar com os olhos todos os sonhos nela ocultos, com os dedos todo o alcance das realidades nela latentes, com o coração toda a poderosa flora das metáforas que uma poesia sublime soprou na verve inquieta do Poeta, e, envolto em encantos que me tomam de assalto a emoção, com a voz transmitir toda compreensão e transcendência que me possuíram leitura e audição desta Súplica, súplica inconfessa posto que muda, poderosa posto que chama, sagrada posto que reza! Parabéns Dom José, parabéns Seu Francisco, obrigado me sinto, com os dois, por tamanha generosidade.

Wander Porto



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Súplica

nasceu com acentuada preferência
pelas rupturas

uma atração quase corrosiva
pela intemporalidade

nada mais pungente e contundente
que sua vulva enclausurada
sem ternura ou afeto

o crepitar floral de sua transpiração
sem sustos ou excessos

nas dobras do corpo
ocultam-se orvalhos

sedes inconfessáveis
entranhadas sob a pele
entre os pelos
remoendo tudo
e a si mesmo

afagá-la é incendiar
a flor delicada por desejos

porém, é preciso reinventar as mãos
antes de tocá-la
para ser merecedor de sua cura

Jose Couto

Do livro O Soneto de Pandora, em outubro estará à venda na livraria on-line Editora Penalux

Súplica – Jose Coutonasceu com acentuada preferênciapelas rupturasuma atração quase corrosivapela intemporalidadenada mais pungente e contundenteque sua vulva enclausuradasem ternura ou afetoo crepitar floral de sua transpiraçãosem sustos ou excessosnas dobras do corpoocultam-se orvalhossedes inconfessáveisentranhadas sob a peleentre os pelos remoendo tudoe a si mesmoafagá-la é incendiara flor delicada por desejosporém, é preciso reinventar as mãosantes de tocá-lapara ser merecedor de sua curaJose CoutoDo livro O Soneto de Pandora, em outubro estará à venda na livraria on-line Editora Penalux

Publicado por Cabras de Baquirivu em Quinta-feira, 14 de setembro de 2017

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J C The Poet – Cristian Oliveira Silva CJ Rebel Son

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Arte presente do Jhony Moura

Zé, como é suave este teu permanecer-se na imaterialidade da [in]essência (Não estar aqui e nem em qualquer outro lugar) e da [in]existência (Não estou no tempo, tampouco fora dele).
Talvez, muitos, considerem teus versos paradoxais, e, inquietos, de si para si, imaginem perguntar: Como podemos ser, se a um só tempo estamos e não estamos [no tempo]?

Mas não há qualquer paradoxo.
Digo isto, por ter me permitido permanecer um tempo saboreando “as fragrâncias etéreas” das voltas e “das partidas” dos teus versos, que me conduziram a uma sutil fenda, que, transposta, lançou-me os olhos à contemplação de um certo Ser de mim mesmo que, mesmo sendo eu, não deixa de ser, ao mesmo tempo, um outro: um outro ser de mim mesmo.

Um alter-ser [outro ego] de mim mesmo que, no entanto, só pode ser eu, sendo outro: um outro indistintamente diverso do ser que possivelmente [é sabido, presumido que] seja eu
“Não estar não me confunde, nem esclarece”, tu me dizes e eu só posso concordar. Afinal, sendo ao mesmo tempo um eu e vários outros eus, todo o tempo estamos, não estando. Em cada instante, estamos e não estamos num mesmo exato lugar.

E é esta constante e obrigatória simultaneidade da presença-ausência de nosso ser e de destes outros eus de nós mesmos, que desfaz o aparente paradoxo
Quando um eu está, os outros eus todos de nós mesmos necessariamente não estarão.

Assim, quando me dizes que no dia em que não estiveste, pretendes indagar para onde foi disseminada a luz, o sopro, o olhar, o oco e as sobras… ponderando… quiçá, perceberás que tudo brota [de] e se dirige [a] um mesmo lugar: o eu mágico do poeta que habita este ser que imagina versos e, em os declamando, conduz infinitos eus – os eus de si mesmo e os eus dos outros – a lugares e não lugares onde [im]permanecerão pelo instante insondável de um sonho.

André Dutra

Sobre o poema “Não estar”

A Poeta Marta Aguiar, interpreta “Não Estar” poema de Jose Couto

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[…] li alguns poemas e percebo o trabalho ímpar que a literatura em língua portuguesa ganhará logo logo. Parabéns pela obra.
Serei um dos primeiros a adquiri-lo quando sair.”

“Teu livro é primoroso, que venha logo teu “O Soneto de Pandora” com suas gratas surpresas e maravilhas!”

Gustavo Terra

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Alguém

Para José Couto

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alguém é um espaço em branco
de beatitude

alguém é uma instância prima
entre ali e aqui

alguém é a vera morada
de sua imorredoura flor

alguém é um sopro a fluir
antes do tempo e após

alguém é a metáfora alvura
de sua dadivosa fonte

alguém é um ensaio da Luz
incólume ao nevoeiro

alguém é um porto seguro
à beira da imagem e do nada

alguém é a porção do Vazio
plena de alvorecer

alguém é um poema pulsante
avesso à intenção da palavra

alguém é a eterna obra aberta
de si mesmo

alguém é um caminho único
e os próprios passos
da caminhada.

Gustavo Terra
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Ilustração de Luiza Maciel Nogueira especialmente para o poema a “máquina do mundo” de José Couto

” Tanta beleza na despedida de mais um dia. Que imagens sublimes. Cada dia admiro mais os caminhos e absurdos trazidos pelos seus poemas.”

Carla Andrade

 *
 a máquina do mundo

nada se compara a esse entardecer
a lágrima do sol avermelhando o rio
sem culpas esculpindo desejos no silêncio

mas quem verdadeiramente se importa?

e no entanto essa beleza vai impregnando de avessos
a delicadeza que finda na luz que se despede

tão pouco ofereceu esse dia que parte
talvez um minúsculo fragmento de folha
sendo levada sem rumo
pousou seu desvelo aos meus pés
e depois partiu em frêmito alucinante

mas quem verdadeiramente se importou?

entretanto agora nesse porto
esvaziado de opacidades
desprendendo cheiros familiares
algo não tangível
porém me escapa seu sentido
se há algum
transborda preso na garganta
do tamanho de um navio atravessado

mas verdadeiramente
alguém se importa?

a escuridão chega
e nos abraça implacável
vislumbro longe
às fragilidades que o mundo sussurra

despido do tempo que o dia me furtou
reparo nas indeléveis cicatrizes
que os cravos dilaceraram no centro das mãos

e nesse exato instante
revela-se a epifania das infinitudes

perfumes óleos avelãs
a mirra o incenso e o indecifrável

subitamente desaguam
desconcertantes

acendo o último cigarro
caminho sobre às águas turvas
anoitecidas sem compaixão

na margem orixás
babalorixás me saúdam
homens e mulheres registram nos celulares
ambulantes oferecem bugigangas

todos aguardam

antes de tocar as pontas dos dedos
na pele úmida do afluxo

uma esfera esdrúxula
circunspecta drummondiana
de cor incerta
emitindo permanentemente
um mantra stotram
cruza o céu de ponta a ponta
em porto alegre

mas me diga leitor
quem verdadeiramente se importa?

Jose Couto​

Do livro O soneto de Pandora em outubro à venda no site da Editora Penalux.
Interpretação poeta Solange Damião
Produção e realização Willer Lopes
Arte da artista plástica Luiza Maciel Nogueira

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